Recentemente, a TotalEnergies da França, em parceria com a QatarEnergy e a Petronas da Malásia, assinou oficialmente um contrato de compartilhamento de produção para o bloco S4 offshore da Guiana. Este acordo marca a entrada da TotalEnergies na exploração offshore na Guiana como operadora pela primeira vez, detendo uma participação de 40% no bloco.
Nos últimos anos, a Guiana emergiu como uma das fronteiras mais procuradas do mundo para exploração de petróleo e gás, com mais de 11 bilhões de barris de recursos de petróleo já confirmados na região. Seu imenso potencial de recursos continua a atrair a atenção de empresas internacionais de energia. Em julho deste ano, a Chevron completou uma aquisição de $53 bilhões da Hess Corporation, garantindo uma participação de 30% no bloco Stabroek da Guiana, conseguindo assim um ponto de apoio no crescente setor de petróleo e gás da Guiana. Com a entrada da TotalEnergies, grandes gigantes do petróleo agora estão se reunindo e competindo na região, que está prestes a remodelar o futuro energético desta nação sul-americana.
01.Bloqueio S4 e a Ambição da TotalEnergies
O bloco S4 adquirido pela TotalEnergies está localizado a aproximadamente 50 a 100 quilômetros da costa da Guiana, cobrindo uma área total de 1.788 quilômetros quadrados em águas rasas. Este bloco está situado dentro de uma bacia de hidrocarbonetos comprovada que produziu algumas das maiores descobertas de petróleo do mundo na última década.
Como operador, a TotalEnergies detém uma participação de 40% no Bloco S4, enquanto seus parceiros QatarEnergy e Petronas detêm participações de 35% e 25%, respectivamente. Essa distribuição de participação reflete a operação da TotalEnergies e sua posição de liderança na parceria, ao mesmo tempo em que demonstra sua estratégia de parceria global.
De acordo com o acordo, o programa de trabalho inicial para o Bloco S4 inclui a aquisição de 2.000 quilômetros quadrados de dados sísmicos 3D para avaliar as perspectivas de exploração do bloco. Esta exploração preliminar é crucial para entender as estruturas geológicas do subsolo e identificar locais potenciais para perfuração.
Nicolas Mavilla, Vice-Presidente Sênior de Exploração da TotalEnergies, afirmou que "o Bloco S4 está totalmente alinhado com nossa estratégia central de buscar recursos substanciais, de baixo custo e baixas emissões." As observações de Mavilla destacam o foco estratégico da TotalEnergies — buscar recursos de petróleo e gás com custo-efetivo e com emissões de carbono relativamente baixas em meio à atual transição energética.
Relata-se que a TotalEnergies planeja iniciar a aquisição de 2.000 quilômetros quadrados de dados sísmicos 3D no primeiro trimestre de 2026 e perfurar o primeiro poço de exploração até o final de 2027, com o objetivo de alcançar uma descoberta comercial dentro do período do contrato.
02.Corrida dos Gigantes: Guiana Surge como Ponto Focal Global de Exploração
A capacidade da Guiana de atrair gigantes internacionais de energia como a TotalEnergies é amplamente atribuída ao seu notável histórico de descobertas de petróleo e gás nos últimos anos. Desde 2015, a ExxonMobil e seus parceiros fizeram mais de 30 descobertas de petróleo no bloco Stabroek, offshore da Guiana, transformando rapidamente a nação em um importante produtor de petróleo emergente global.
Atualmente, toda a produção de petróleo da Guiana vem do bloco Stabroek. Relata-se que, com o projeto Yellowtail previsto para iniciar a produção no quarto trimestre de 2025, a capacidade total de produção do bloco aumentará para 940.000 barris por dia. A ExxonMobil detém uma participação de 45% no bloco, a Chevron detém uma participação de 30% por meio da aquisição da Hess, e a CNOOC detém os 25% restantes.
No final de setembro deste ano, a ExxonMobil anunciou a decisão final de investimento para o sétimo projeto de desenvolvimento do bloco (Hammerhead), elevando o compromisso total de investimento do consórcio no bloco para $60 bilhões e avançando em seu objetivo de "alcançar uma produção de 1,7 milhão de barris de petróleo equivalente por dia até 2030."
O governo guianense está promovendo ativamente a diversificação no desenvolvimento de seus campos de petróleo para evitar a dominância de mercado por qualquer empresa ou consórcio único. O Ministro de Recursos Naturais, Vickram Bharrat, afirmou que, além do acordo com a TotalEnergies, pelo menos três contratos adicionais de blocos de exploração serão assinados este ano. O governo também está em negociações com o consórcio ExxonMobil sobre os termos de exploração para outro bloco garantido durante o leilão de 2023.
Regionalmente, a Bacia da Guiana-Suriname tem testemunhado substanciais atividades de exploração de petróleo e gás nos últimos anos, com a Guiana sozinha descobrindo mais de 13 bilhões de barris de equivalente de petróleo na última década. À medida que os operadores continuam a explorar e desenvolver os recursos da Guiana, seu vizinho costeiro, o Suriname, está atraindo uma atenção crescente.
03.O Impacto Multifacetado da Entrada da TotalEnergies no Mercado
O projeto da Guiana constitui um componente crucial de sua estratégia de exploração global. De uma perspectiva regional, a entrada da TotalEnergies provavelmente acelerará as atividades de exploração em toda a Bacia Guiana-Suriname.
No entanto, o envolvimento da TotalEnergies sem dúvida injetou nova vitalidade competitiva neste emergente produtor de petróleo sul-americano. Para os mercados internacionais, o desenvolvimento diversificado deste novo centro de energia apresentará novas oportunidades de investimento para o capital energético global, ao mesmo tempo em que contribuirá para um crescimento estável da oferta no mercado de petróleo bruto em meio à atual transição para uma economia de baixo carbono.